Como ficará a venda da Vasco SAF depois de Pedrinho ser afastado?

A novela da Vasco SAF ganhou mais um capítulo decisivo. Na terça-feira (23/06/2026), a 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, sob decisão da juíza Caroline Fonseca, determinou o afastamento de Pedrinho do Conselho de Administração da Vasco SAF, atendendo a um pedido da 777 Partners. A Justiça apontou falhas graves de governança corporativa, deficiência nos controles internos e limitações impostas a fiscalizações como motivos da medida. Para administrar temporariamente a SAF, foi nomeada uma interventora.

É importante esclarecer um ponto que gerou confusão entre os torcedores: Pedrinho não foi destituído da presidência do clube associativo. Ele segue no comando do Vasco da Gama tradicional, com mandato até o fim de 2026. O que ele perdeu, na prática, foram os poderes dentro da estrutura da SAF — a empresa que controla o futebol profissional do clube.

A pergunta que não quer calar é: e agora, como fica a venda da Vasco SAF? A boa notícia para o torcedor cruzmaltino é que, segundo apuração de veículos como o Globo Esporte, a decisão judicial não impede a venda da SAF. A negociação com o empresário Marcos Lamacchia, que vinha sendo costurada nos bastidores, segue juridicamente possível mesmo com o afastamento de Pedrinho do conselho.

O próprio Pedrinho se manifestou. Em carta publicada nesta quarta-feira (24/06), o dirigente afirmou que a venda à Lamacchia estava “prestes a ser anunciada” e classificou o cenário como uma tentativa de “sabotagem”, falando em “sombras” sobre o processo. Horas depois, o Vasco exonerou quatro nomes da diretoria, num movimento que reforça a turbulência política interna do clube.

Na minha análise, o afastamento muda quem assina os papéis, mas não derruba o negócio em si. A interventora assume justamente para dar segurança jurídica à transição — e um comprador sério como Lamacchia tende a preferir uma SAF com governança fiscalizada do que uma envolta em disputas. O risco real não é a venda travar por decisão judicial, e sim a guerra política interna atrasar o calendário e espantar investidores. O Vasco precisa de estabilidade para fechar negócio, e estabilidade é exatamente o que falta agora.

O torcedor vascaíno acompanha tudo com o coração apertado. Depois de anos de instabilidade, a expectativa é que essa nova fase, com ou sem Pedrinho na SAF, finalmente traga o aporte financeiro e a gestão profissional que São Januário tanto espera. A bola, dessa vez, está com a Justiça e com a mesa de negociação.

*Algumas informações sobre os bastidores da negociação envolvem especulação de mercado e devem ser tratadas como tal até confirmação oficial das partes.

Por Magno Martins

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