
Por Magno Martins
A noite de 24 de junho de 2026 ficará marcada na memória de todos os torcedores brasileiros. Não apenas pela goleada da Seleção Brasileira sobre a Escócia por 3 a 0, que classificou o Brasil como líder do Grupo E da Copa do Mundo, mas por um momento que muitos acharam que nunca veriam acontecer: a volta de Neymar Jr. a um campo de futebol numa Copa do Mundo. Aos 34 anos, carregando o peso de uma carreira marcada por lesões e polêmicas, o camisa 10 da Seleção entrou em campo no segundo tempo e fez uma nação inteira parar.
A partida aconteceu no Hard Rock Stadium, em Miami, nos Estados Unidos, palco de uma Copa do Mundo inédita realizada em três países — EUA, Canadá e México. O Brasil dominou do início ao fim. Vinícius Júnior foi o grande destaque, marcando dois gols belíssimos que voltaram a confirmar seu status de melhor jogador do mundo no momento. Casemiro completou o placar com uma cabeçada certeira ainda no primeiro tempo. Estava tudo praticamente decidido quando a substituição mais esperada do torneio aconteceu.
Aos 31 minutos do segundo tempo, o técnico Dorival Júnior chamou Matheus Cunha de volta ao banco e mandou para campo o número 10. O estádio explodiu. Nas arquibancadas, torcedores brasileiros e até rivais pararam para aplaudir a entrada de um dos maiores jogadores da história do futebol. Neymar, que havia perdido a estreia do Brasil contra Marrocos por conta de uma contusão na panturrilha direita, encarou o tratamento com dedicação e conseguiu estar pronto para o jogo decisivo da fase de grupos.
Nos aproximadamente 15 minutos em que esteve em campo, Neymar não marcou gols e não registrou assistências nos dados oficiais, mas mostrou muito mais do que qualquer estatística pode capturar. Seu primeiro toque na bola arrancou um grito das arquibancadas. Seu primeiro drible fez a torcida relembrar por que ele é, e sempre será, o grande ídolo do futebol brasileiro. Com movimentações inteligentes, tentativas de criação e a ginga característica que nunca abandonou seu jogo, o camisa 10 deixou claro que está bem e que tem muito a oferecer na Copa.
Esta é a quarta Copa do Mundo de Neymar, tornando-o um dos poucos brasileiros a alcançar esse feito histórico, ao lado de lendas como Pelé, Cafu e Ronaldo. Em toda a sua trajetória em Mundiais, o atacante soma 13 partidas, 8 gols e 3 assistências — números que o colocam entre os maiores artilheiros do Brasil em Copas. Mas ainda falta um troféu, e é exatamente esse o objetivo declarado de Neymar ao retornar ao futebol profissional pelo Santos e à Seleção Brasileira: conquistar o Hexa antes de encerrar a carreira.
O Brasil agora aguarda a definição dos confrontos das oitavas de final. A Seleção passou em primeiro lugar no Grupo E, com desempenho convincente, e chega às fases eliminatórias com moral elevado, elenco qualificado e, agora, com Neymar disponível para entrar em cena quando necessário. A pergunta que todo brasileiro faz é: o camisa 10 terá fôlego para ser protagonista nos jogos que realmente decidem o Mundial?
Se a estreia é algum indicativo, a resposta tende ao sim. A Copa do Mundo 2026 pode muito bem ser a redenção de Neymar Jr. — o capítulo final e glorioso de uma carreira que, apesar de todas as turbulências, jamais apagou a chama do craque mais habilidoso que o Brasil produziu desde Ronaldinho Gaúcho. A torcida acredita. E talvez o próprio Neymar também.
Por Magno Martins — Voz Esportiva
